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RAPGOL Magazine entrevista VND: Artista fala sobre sua trajetória na música e sua ligação com o futebol e o sportlife

por Roger Morais · 24 de julho de 2021

o dono da rua

v n d

Autor – Roger Morais



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Vando Trem Bala

VND, conhecido por muitos como Vando Trem Bala, é cria de Marechal Hermes, tradicional bairro do subúrbio da Zona Norte carioca. É um dos integrantes do coletivo Covil da Bruxa, o qual fazem parte outros artistas já renomados na cena. Sua carreira em poucos anos alcançou patamares que talvez o próprio cantor nem tenha imaginado.

Desde então, o artista vem trabalhando intensamente para trazer ao público o som de qualidade que já conhecemos. Suas letras costumam ser bastante ousadas e tratam de assuntos que não estão somente ligados à curtição. Talvez seja por isso que conquistou no fim do ano passado o “Prêmio RAP TV”, na categoria “Aposta RAP TV 2021”.

VND não é preso a nenhum gênero musical, mas tem se destacado nos últimos tempos por excelentes produções de Grime e de Drill. Inclusive, o cantor já participou de algumas edições do programa Brasil Grime Show, que vem conquistando fãs a cada dia.

Logo, não perdemos a oportunidade de conversar com o artista. Em entrevista exclusiva, VND conta um pouco sobre seu início na música, trajetória, sua visão sobre o cenário atual e, claro, aquela rápida resenha sobre futebol e sportlife, além de adiantar novidades quanto ao lançamento do seu primeiro álbum “EU TAMBÉM SOU UM ANJO”, previsto para lançamento em agosto.

… me inspiro nas pessoas, em tudo que tem vida.

vnd

RAPGOL MAGAZINE – Primeiramente, gostaria de deixar bem claro que é uma enorme satisfação poder trocar essa ideia com você. O que mais te inspirou ou te motivou a iniciar na música?

VND – O amor por ela. Sempre fui influenciado dentro de casa mesmo sem perceber. Meu pai e meu avô, ambos são músicos, e minha mãe sempre teve essa paixão pelos bailes charmes dos anos 90, logo eu criei esse amor pela arte.

 

RAPGOL MAGAZINE – Quais são as suas principais referências musicais?

 

VND – Se eu for parar pra falar todas as minhas referências na música seria uma lista muito extensa. Mas eu sempre fui muito influenciado por música brasileira, no geral. Meu pai é músico e eu tive muita referência dele, da minha mãe, que só ouvia JB FM. Eu chapava nos artistas que o Brasil gerou, chapo até hoje.

RAPGOL MAGAZINE – Como foi e quando você conheceu o Grime e o Drill?

VND – Eu ouvia muito Grime nas festinhas, mas não fazia tanta noção do que era, do que tava tocando. Nas festas do Centro os caras sempre tocavam Drum n’ Bass e eu não fazia ideia do que era.

O primeiro contato que eu tive com o Grime, sabendo o que era Grime, foi quando o Skepta veio à tona pra nós, e eu comecei a ouvir e estudar mais o gênero. O Drill o rolé foi diferente, por ser vertente de um genero tão famoso e relevante pro rap foi bem mais fácil conhecer e consumir.

VND –
BRASIL GRIME SHOW

RAPGOL MAGAZINE – E como você enxerga essa ascensão de ambos?

VND – Eu acho foda, porque tem muita galera no Rio dando uma certa visibilidade, rolou uma identificação muito grande por ser um gênero que flerta muito com o nosso funk. Acho interessante a forma como está chegando nas pessoas também… Com isso as portas se abrem, como foi aberta ao Trap.

RAPGOL MAGAZINE – Vemos que em diversas letras suas o assunto o sportwear está presente. Sendo assim, na sua visão, qual a importância, em especial pra quem é cria de periferia, dessa cultura no dia-a-dia da galera?

VND – A questão das vestimentas em si, é irrelevante. Porque é uma coisa enraizada. Nós que é de periferia sempre gostou de usar esse tipo de coisa, é mais para se auto-afirmar do que a vestimenta em si, é como uma conquista. Ver um menor do meu bairro com um tênis caro. Não pelo preço, e sim pelo que tem por trás daquilo ali.

 

RAPGOL MAGAZINE – Pode nos contar um pouco como começou e como é o convívio com os demais integrantes da Covil da Bruxa?

VND – Começou bem despretensioso, como todo coletivo. Era só um grupo de amigos que ia para os rolês se divertir, e a gente tinha essa personalidade, se intitulava como algo. Curtimos coisas parecidas, e a gente acabou unindo o útil ao agradável (a arte). A convivência é interessante, porém a gente já bateu muito cabeça até chegar aqui.

“O DONO DA RUA”

RAPGOL MAGAZINE – Infelizmente, ainda sofremos com essa pandemia que assola a nossa sociedade. Desde que tudo isso começou, como você tem lidado com a situação e os seus trabalhos e projetos?

VND – Mano, tá tudo 10x mais difícil como sempre é pra nós. Mas por incrível que pareça eu tô até lidando bem com o fato de não estarem rolando shows, e ainda sim conseguir fazer parte de vários projetos… Se a galera não tivesse fomentando ainda de fato, nós estávamos mais fodidos.

RAPGOL MAGAZINE – Quais são suas três camisas de time prediletas?

VND – Essa é difícil… Mas eu gosto muito da Juventus 2007 da Nike, muito clássica; a da Holanda 2020/21 e a do Atalanta 20/21, da Joma, essa tá fina.

RAPGOL MAGAZINE – Quais são os seus três jogadores favoritos?

VND – R10 o Bruxo, o melhor que eu vi jogar. Pogba, porque o moleque é liso demais, e Iniesta porque o homem distribui.

RAPGOL MAGAZINE – Seu time de coração, e porque?

VND – Eu sou tricolor, Fluminense. Na libertadores de 2009 eu acompanhei a campanha que o time fez e perdemos pra LDU na final, mas eu me apaixonei pelo time porque a campanha foi foda, e até hoje é meu time do coração.

 

 

R10 o Bruxo, o melhor que eu vi jogar.

vnd

RAPGOL MAGAZINE – No que você mais se inspira quando vai compor suas letras?

VND – A vida, nada mais inspirador do que estar respirando, o cotidiano… Não o ócio, me inspiro nas pessoas, em tudo que tem vida.

 

RAPGOL MAGAZINE – Dessa galera nova que está surgindo na cena, poderia citar três artistas que, ao seu ver, merecem destaque?

VND – Pra começar, um menor bom que eu acho foda, e que deveria ter bem mais visibilidade é o Shape. Ele é da ZN do Rio, e é brabo, curto muito o trampo dele. Também a Amanda Sarmento. Ela tem uma métrica foda e uma voz braba também, a gente precisa mais disso na cena… E por último, meu irmão Tarcis, que eu tenho como referência, é um mano que me ensinou muita coisa.

RAPGOL MAGAZINE – Recentemente, você participou do projeto “Beat Acelerado | Grime no CSSP”. Como foi pra você integrar parte de um projeto ao lado de diversos artistas expoentes na cena?

VND – Foi lindo. Trabalhei com uma equipe muito foda e conheci artistas incríveis, e foi a minha primeira viagem pra fora do estado a trabalho. Dar importância pra esse tipo de projeto é essencial ta ligado? Nós tá fomentando isso de maneira muito foda, nos estávamos no Centro Cultural de São Paulo fazendo grime, soltando barras e dando perspectiva aos nossos semelhantes.

“INFRAVERMELHO”

RAPGOL MAGAZINE – O público pode aguardar alguma novidade do VND ainda este ano?

VND – Sim, eu estou com um disco em processo de mixagem/masterização que vai sair mês que vem, intitulado ‘EU TAMBÉM SOU UM ANJO’. É meu primeiro disco. Nesse momento é o trabalho mais importante da minha vida. O que eu posso adiantar é que um clássico está por vir (risos)

 

RAPGOL MAGAZINE – Qual a mensagem que você gostaria de deixar para o pessoal?

VND – Cuidem de suas mentes.

Bom, Vando nos garantiu que novidades virão em breve. E se a sua linha de trabalho seguir a mesma, é certeza de que os fãs e adeptos sairão satisfeitos com os seus trabalhos. O seu mais recente lançamento foi a faixa em conjunto, intitulada “Infravermelho”, ao lado de LEALL, OG BRITTO, TOKIODK e do beatmaker Luna, que, com uma semana de estreia, lá alcançou centenas de milhares de visualizações somente no YouTube.

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