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Fim da Gratuidade: FIFA Cobrará Ingresso para Fan Festival da Copa do Mundo de 2026 pela Primeira Vez na História

por CRIAA · 31 de dezembro de 2025

O acesso à experiência coletiva da Copa do Mundo de 2026 terá um custo inédito para o bolso do torcedor. Em uma ruptura histórica com o modelo adotado desde a criação das exibições públicas oficiais da entidade, a FIFA e os organizadores locais confirmaram que o acesso ao Fan Festival instalado no Liberty State Park, na região de Nova York–New Jersey, será pago. Quem desejar acompanhar as partidas pelos telões, participar de ativações de marcas e aproveitar a programação musical no local precisará adquirir bilhetes, encerrando uma prática de gratuidade que durava décadas.

De acordo com informações do jornal britânico The Times, o valor para a entrada antecipada foi fixado em US$ 12,50 (aproximadamente R$ 62,00 na cotação atual). Embora o valor pareça baixo em comparação aos ingressos dos estádios, a mudança simbólica gera um debate profundo sobre a democratização do evento em um país conhecido por mercantilizar cada aspecto do entretenimento esportivo.

1. Justificativa Logística vs. Reação dos Fãs

Os organizadores locais defendem a medida sob o argumento de controle de fluxo e segurança. Em uma região com densidade populacional altíssima como a de Nova York, a cobrança serviria como um filtro para evitar superlotação no Liberty State Park e garantir uma “experiência de usuário” mais qualificada e segura.

No entanto, a iniciativa foi recebida com fortes críticas por parte das associações de torcedores. Historicamente, os Fan Festivals serviam como o refúgio para quem não conseguia pagar os altos preços dos estádios ou para o fã local que queria apenas sentir a atmosfera do Mundial sem gastar fortunas. Ao tarifar esse espaço, a FIFA e o comitê local de NY–NJ correm o risco de afastar a classe trabalhadora e os imigrantes que são a alma do futebol nos Estados Unidos.

2. A Copa Mais Cara da História?

A cobrança no Fan Festival é apenas a ponta do iceberg de uma Copa do Mundo que promete ser a mais lucrativa e, consequentemente, a mais cara de todos os tempos. Recentemente, a FIFA já havia sido alvo de reclamações devido ao preço exorbitante dos ingressos para os jogos, o que forçou a criação de uma categoria social, a “Entrada para Torcedores”, ao custo de US$ 60.

Até o momento, não há confirmação de que a cobrança será estendida para as outras 15 cidades-sede no Canadá, México e demais regiões dos EUA. No entanto, o precedente aberto em Nova York liga o sinal de alerta para os torcedores que planejam seguir suas seleções em 2026. Se o modelo de NY–NJ provar-se financeiramente bem-sucedido, a tendência é que a gratuidade nos espaços oficiais da FIFA se torne uma relíquia do passado.

3. Oportunidades para o Mercado e Lifestyle

Como você bem analisa, Bruno, essa mudança transforma o Fan Festival de um evento público em um “clube de campo” temporário. Para as marcas parceiras e patrocinadores, o público pagante representa um perfil de consumo mais segmentado e propenso a gastos extras dentro da estrutura, como em alimentação e mercadorias oficiais.

Por outro lado, essa elitização pode impulsionar o surgimento de “Fan Fests paralelas” ou não oficiais em bairros periféricos e parques públicos que não estão sob a jurisdição da FIFA. O desejo pelo futebol é incontrolável e, se a entidade oficial fecha os portões para quem não tem cartão de crédito, a rua encontrará seu próprio jeito de celebrar o Mundial de 48 seleções.

Conclusão: O Desafio da Inclusão em 2026

A Copa do Mundo de 2026 será o teste definitivo para o equilíbrio entre o lucro corporativo e a paixão popular. Ao cobrar ingressos para o Fan Festival, a FIFA sinaliza que o valor da experiência está acima do valor da tradição. Resta saber se o Liberty State Park conseguirá manter a vibração e a diversidade que tornaram os Fan Festivals famosos em edições como as do Brasil (2014) e da Alemanha (2006).

Em um torneio que promete bater recordes de audiência e faturamento, o custo para o torcedor comum nunca foi tão alto. O “maior espetáculo da Terra” está se tornando, cada vez mais, um espetáculo para quem pode pagar a entrada, transformando a celebração das ruas em um evento de acesso restrito.

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