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Lauryn Hill e Wyclef Jean homenageiam John Forté, o “Rei Gentil” dos Fugees

por CRIAA · 16 de janeiro de 2026

A história do Hip Hop é feita de estrelas que brilham intensamente e de arquitetos que constroem as fundações nas sombras. John Forté, que faleceu na última segunda-feira (12) aos 50 anos, foi ambos. Membro vital do círculo criativo dos Fugees e figura central no coletivo Refugee Camp All Stars, Forté foi a ponte entre a crueza de Brownsville, no Brooklyn, e a sofisticação das escolas preparatórias, criando um estilo de expressão que Lauryn Hill descreveu como “único para o seu tempo”.

A notícia de sua morte em Chilmark, Massachusetts, ecoou por toda a comunidade, trazendo à tona memórias de uma época em que o Hip Hop estava em sua “ascensão épica”, cheia de excitação e possibilidades ilimitadas.

1. O Tributo de Lauryn Hill: “Um Cavalheiro e um Estudioso”

Em uma mensagem carregada de emoção, Lauryn Hill relembrou a conexão imediata que teve com Forté nos anos 90. Ela o descreveu como uma mistura rara de intelecto e alma. “Forté era um cavalheiro e um estudioso com uma caneta forte, alma profunda e coração gentil”, escreveu a cantora.

Hill relembrou as caminhadas pelas ruas de Nova York em “modo de fascinação juvenil” e o momento em que apresentou John a Wyclef Jean e Pras Michel, mudando o curso da história do grupo. “John era uma alma gentil por trás de todos os seus cânticos de Brownsville. Eu gostaria que tivéssemos tido a oportunidade de abraçar isso ainda mais naquela época”, desabafou Lauryn, encerrando com um doloroso “Eu te amo, John. Descanse em paz, rei gentil.”

2. A Mão por Trás de “The Carnival” e “Poly Sci”

A influência de John Forté no som que dominou as paradas mundiais no fim da década de 90 é incalculável. Ele foi um colaborador essencial no álbum de estreia solo de Wyclef Jean, o clássico The Carnival (1997), aparecendo em faixas emblemáticas como “We’re Tryin’ To Stay Alive”.

Seu talento como MC e produtor foi formalizado em 1998 com o lançamento de seu próprio álbum, Poly Sci, produzido por Wyclef. O disco é um marco do rap intelectual, fundindo batidas precisas com uma fluência de vocabulário que desafiava os padrões do gênero na época. Wyclef Jean, ao saber da notícia, reforçou o laço familiar: “A voz de John era inconfundível. Ele era mais do que um colaborador — ele era família.”

3. Uma Trajetória de Resiliência

John Forté também ficou conhecido por sua jornada pessoal fora dos palcos. Sua prisão em 2000 por questões relacionadas a drogas e a subsequente comutação de sua pena pelo então presidente George W. Bush, em 2008, tornaram-se um ponto de virada em sua vida. Ele usou sua liberdade para se tornar um defensor da reforma do sistema prisional e continuou a criar música que refletia sua maturidade e espiritualidade.

Sua morte aos 50 anos interrompe uma vida que foi dedicada à arte da palavra e à busca pela verdade. Ele deixa sua esposa, a fotógrafa Lara Fuller, e dois filhos.

Conclusão: O Silêncio de uma Caneta Poderosa

John Forté pertencia a uma linhagem de artistas que não precisavam gritar para serem ouvidos. Sua inteligência estava gravada em cada rima e sua bondade era sentida por todos que cruzavam seu caminho. Ao honrar sua memória, Lauryn Hill e Wyclef Jean não estão apenas se despedindo de um amigo, mas lembrando ao mundo que o Hip Hop perdeu um de seus poetas mais sofisticados.

Como Lauryn Hill pontuou, ele era “part Brownsville, part prep-school” — um equilíbrio perfeito que ajudou o mundo a entender que o Rap poderia ser tão acadêmico quanto era visceral. O Refugee Camp agora tem um lugar vazio, mas a voz de John Forté, inconfundível e eterna, continuará a ecoar nos fones de ouvido de quem valoriza a verdadeira arte da escrita.

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