Share

CBF e Clubes Brasileiros Estudam Modelo da LALIGA para Implementar o Fair Play Financeiro no Brasil

por CRIAA · 19 de janeiro de 2026

O futebol brasileiro deu um passo decisivo em direção à profissionalização estrutural nesta semana. Entre os dias 14 e 15 de janeiro, uma ampla delegação liderada pelo vice-presidente da CBF, Gustavo Dias Henrique, e representantes de clubes como Flamengo, Palmeiras, Corinthians, Vasco e Grêmio, participou de uma imersão técnica na sede da LALIGA, em Madri. O eixo central da visita foi o sistema de Controle Econômico, ferramenta que transformou a realidade financeira dos clubes espanhóis e que agora serve de espelho para o projeto que a CBF pretende consolidar no Brasil.

Para Javier Tebas, presidente da LALIGA, o Controle Econômico vai além dos números: “É um modelo de governança que protege os clubes, as competições e o próprio futebol. Demonstramos que é possível crescer e atrair investimento a partir da sustentabilidade”.

1. O Modelo Espanhol como Referência Global

Diferente de outros sistemas de Fair Play Financeiro que atuam de forma punitiva a posteriori, o modelo da LALIGA é preventivo. Ele estabelece limites de custo de elenco antes do início das competições, baseando-se nas receitas reais de cada clube. Desde sua implementação, a liga espanhola conseguiu:

  • Reduzir drasticamente o endividamento estrutural.
  • Garantir o pagamento em dia de salários e obrigações fiscais.
  • Atrair investidores internacionais que buscam segurança jurídica e financeira.

2. A Implementação no Brasil: O Cronograma 2026

A CBF encontra-se em fase avançada de desenho do seu próprio sistema nacional. A ideia é que a aplicação seja progressiva, começando já em 2026. A presença de clubes de diferentes perfis — desde os que operam como SAFs, como Botafogo, Cruzeiro e Bahia, até os modelos associativos tradicionais — reflete um consenso raro no futebol brasileiro: a necessidade de regras claras para evitar a insolvência e garantir o equilíbrio competitivo.

Gustavo Dias Henrique reforçou o compromisso da entidade: “O fair play financeiro já é uma realidade no Brasil, e a CBF reafirma seu compromisso ao analisar as experiências de outros mercados para fortalecer nosso futebol”.

3. União de Forças: A Comitiva Brasileira em Madri

A lista de clubes presentes na sede da LALIGA impressiona pela abrangência. Além do “G-12”, equipes como Fortaleza, Athletico-PR, Red Bull Bragantino, Cuiabá e Mirassol participaram das sessões técnicas. Esse intercâmbio não se limita à teoria; os dirigentes brasileiros tiveram acesso aos mecanismos de supervisão, auditoria e sanção que garantem a integridade da competição espanhola.

A parceria também se beneficia do histórico entre a LALIGA e a Federação Paulista de Futebol (FPF), que já mantém um canal de diálogo técnico contínuo há anos, facilitando a adaptação dessas “melhores práticas” ao complexo contexto econômico brasileiro.

Conclusão: O Fim da Era da Irresponsabilidade Financeira?

A visita a Madri sinaliza o fim de um ciclo onde o sucesso esportivo era frequentemente buscado às custas de dívidas impagáveis. Ao adotar a LALIGA como parceira técnica e estratégica, a CBF sinaliza ao mercado global que o futebol brasileiro busca estabilidade. Se o sistema for implementado com o rigor observado na Espanha, o Brasil poderá finalmente converter sua paixão e talento em um ecossistema econômico sólido e atraente para o capital estrangeiro.

Você também pode gostar