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O Fim da União: Rodrigo Lemos Analisa por que Coletivos de Artistas Tendem ao Fracasso

por CRIAA · 29 de janeiro de 2026

Para Rodrigo Lemos, a gênese do problema em qualquer coletivo — seja na música ou em estruturas sociais — reside na hierarquia. Embora o coletivo seja uma excelente estratégia para artistas pequenos se tornarem grandes, a falta de uma liderança clara ou a incapacidade de ser liderado acaba por desfigurar o projeto original.

Abaixo, os três erros clássicos identificados pelo empresário:

1. Falta de Hierarquia Clara

Nenhum coletivo sobrevive sem alguém que coloque as regras e defina os rumos finais. Lemos argumenta que é ingenuidade acreditar que todos sabem exatamente o que fazer sem uma coordenação central. Sem um líder para “botar ordem na casa”, a energia se dispersa e a estrutura inevitavelmente rui. Como exemplo, ele cita que uma empresa ou um exército não funcionam sem níveis de comando definidos.

2. Líderes que Não Sabem Liderar

Às vezes a hierarquia existe, mas o problema está na pessoa que ocupa o topo. Lemos destaca que nem todo artista ou empresário possui as habilidades políticas e psicológicas para gerir uma “tropa”. Ele revela que sua saída da 1Kilo foi um fator fundamental para a desfiguração do grupo, pois ele atuava como um “primeiro-ministro” nos bastidores, mantendo a unidade política e o foco emocional dos artistas, papel que se perdeu após sua partida.

3. Liderados que Não Sabem ser Liderados

O terceiro ponto atinge diretamente o ego artístico. No universo do entretenimento, o estrelismo e a “inveja” muitas vezes impedem que um artista respeite a liderança de um par. Lemos afirma que saber ser liderado e ter a humildade de obedecer a uma estratégia comum é uma virtude rara, e a resistência constante dos membros em aceitar ordens é o caminho mais curto para o desmantelamento de coletivos como o Covil da Bruxa.

Conclusão: A Utopia do Coletivo

Rodrigo Lemos encerra comparando a falha dos coletivos à utopia comunista, citando A Revolução dos Bichos, de George Orwell: “Todos somos iguais, mas uns são mais iguais que os outros”. Se a gênese do movimento não prevê mecanismos para lidar com a natureza humana e o ego, a ordem dará lugar ao caos. Apesar disso, ele reforça que viver a experiência de um coletivo continua sendo a melhor “forja de caráter” para qualquer artista iniciante.

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