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VANDAL transforma fé e identidade baiana em música no álbum “VANGUARDAH”

por CRIAA · 13 de agosto de 2026

Pioneiro do grime e do drill no Brasil, artista de Salvador reúne rap, samba-reggae, pagodão baiano e música afro-sinfônica em novo projeto.

O rapper baiano VANDAL lança “VANGUARDAH”, novo álbum de estúdio que amplia a pesquisa musical construída pelo artista ao longo de sua trajetória. Com dez faixas, o projeto atravessa o rap, o grime, o drill, o samba-reggae, o pagodão baiano e a música afro-sinfônica para criar um retrato da Bahia contemporânea a partir de suas próprias vivências.

O disco chega no dia 13 de agosto, data dedicada a Santa Dulce dos Pobres, figura central na relação de VANDAL com a fé e com a história de sua família.

Mais do que um lançamento, “VANGUARDAH” funciona como um manifesto sobre vida, urgência, memória, pertencimento e identidade.

Rap baiano encontra música afro-sinfônica

A construção do álbum começou a partir do encontro entre VANDAL e o produtor Tiago Simões. Ideias que antes surgiam principalmente nos palcos passaram a ganhar uma elaboração mais profunda dentro do estúdio.

O projeto cresceu com a chegada de Russo Passapusso, responsável pela direção musical, que aproximou VANDAL do maestro Ubiratan Marques e da Orquestra Afrosinfônica.

A direção artística é assinada por VANDAL e Phodismo, com arranjos orquestrais, coros e uma instrumentação inédita na discografia do artista.

O resultado coloca beats, rimas e elementos eletrônicos em diálogo com instrumentos acústicos e camadas sinfônicas, sem apagar a raiz urbana e periférica que orienta a obra.

Participações nasceram durante o processo

A construção coletiva de “VANGUARDAH” aconteceu de forma espontânea. Em vez de reunir previamente uma lista de convidados, VANDAL viu as participações surgirem naturalmente durante o processo criativo.

O álbum conta com colaborações de Russo Passapusso, Josyara, Giovanni Cidreira, Liz Reis, Lívia Nery, SUHHH, Hiran e DJ KL Jay.

O projeto também reúne músicos como Paulo Pitta, Colibri e integrantes da Orquestra Afrosinfônica.

A diversidade de participantes amplia a dimensão do disco e conecta diferentes gerações, linguagens e experiências da música produzida na Bahia.

VANDAL revisita suas raízes

Conhecido nacionalmente desde o lançamento de “TIPOLAZVEGAZH”, originalmente apresentado em 2015, VANDAL consolidou uma linguagem própria ao aproximar sonoridades globais da cultura das periferias de Salvador.

Pioneiro na expansão do grime e do drill no Brasil, o artista também se tornou uma figura recorrente no Carnaval ao lado do BaianaSystem e uma referência na construção de novas possibilidades para o rap nacional.

Em “VANGUARDAH”, essa trajetória aparece conectada a referências que vêm das ruas de Salvador, do samba-reggae, das festas populares, do pagodão baiano e das experiências vividas pelo artista na cidade.

Embora dialogue com gêneros globais, o álbum parte de um território específico e transforma a Bahia em linguagem sonora.

A vida é o centro do álbum

Ao longo das dez faixas, VANDAL aborda religiosidade, ancestralidade, afetos, perdas, memória e urgência.

Para o artista, no entanto, existe um conceito capaz de reunir todas essas camadas: a vida.

“O grande mote desse disco é a vida. Respirar, entender que estou vivo e transformar isso em música. Eu perdi muitas pessoas ao longo do caminho e isso me faz sentir que preciso colocar todas as minhas ideias no mundo enquanto tenho tempo”, afirma VANDAL.

O depoimento revela o caráter urgente do álbum. As músicas aparecem como uma forma de registrar experiências e organizar sentimentos antes que eles desapareçam.

Fé inspira identidade visual

A religiosidade atravessa “VANGUARDAH” não apenas como tema, mas também como fundamento visual.

A relação de VANDAL com Santa Dulce dos Pobres foi herdada de sua avó, Neuza, que encontrou acolhimento durante um período de internação nas Obras Sociais Irmã Dulce. A experiência, vivida pela família como um milagre, foi transmitida ao artista e passou a orientar parte da narrativa do projeto.

A identidade visual do álbum também valoriza a produção artesanal e o trabalho manual.

O processo levou a equipe até a Cerâmica São Francisco, fábrica familiar de imagens sacras localizada em Valéria, em Salvador. Antes disso, o escultor e tatuador William desenvolveu a escultura original e o molde que deram origem às peças.

A produção envolveu o artesão-chefe Francisco Castro, a artesã-chefe Cristina Cerqueira, o pintor Manuel Castro e a assistente de pintura Gabriela Castro.

O trabalho estabelece uma relação entre tradição, território e inovação. Para VANDAL, a vanguarda não precisa romper com o passado: ela também pode nascer da técnica, da memória e do tempo dedicado ao fazer.

Audição aconteceu no Pelourinho

Como parte da apresentação do projeto, VANDAL realizou uma audição de “VANGUARDAH” no dia 11 de agosto, na Casa da Ponte Maestro Ubiratan Marques, no Largo do Pelourinho, em Salvador.

O encontro reuniu convidados para ouvir o álbum em primeira mão e reforçou a dimensão coletiva da obra.

A audição também aproximou o disco de um espaço diretamente ligado à história cultural da cidade e à parceria com a Orquestra Afrosinfônica.

Álbum integra trilogia

“VANGUARDAH” é o primeiro capítulo de uma trilogia idealizada por VANDAL.

O segundo álbum será “FEZTAH DEH LARGOH”, projeto que ampliará o diálogo com os ritmos populares das festas de largo baianas.

A trilogia será encerrada com “EAUH DEH PARFUMH”, terceiro disco voltado a uma pesquisa sonora mais sofisticada, baseada em samples e novas experiências de produção.

Embora estejam conectados por um mesmo processo criativo, os três trabalhos terão identidades próprias e não funcionarão como uma continuação direta entre si.

Próximos passos visuais

O universo audiovisual de “VANGUARDAH” começou a ser apresentado em dois teasers dirigidos por Phodismo e Pedro Soares.

Os vídeos acompanham o processo de criação das imagens do álbum, desde a confecção da escultura até a pintura artesanal das peças.

O próximo capítulo será o videoclipe de “PONTOH DE REVOLTAH”, dirigido por Thiago Cavalcanti.

A produção deve ampliar a narrativa visual do disco e conectar a construção das imagens à trajetória artística de VANDAL.

Tracklist

  1. SAVEIROZH
  2. VANGUARDAH
  3. PONTOH DEH REVOLTAH
  4. AH VERDADEH DAH CIDADEH
  5. AVEMARIAH
  6. ANJOH BOMH DAH BAHIAH
  7. SUPEREH
  8. RÉQUIEMH PARAH UMH SONHOH
  9. MULHEREZH DAH MINHAH VIDAH
  10. SONÄBULOH

Em “VANGUARDAH”, VANDAL transforma a Bahia em matéria sonora e mostra que a vanguarda também pode nascer da fé, da memória e daquilo que permanece vivo no território.

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