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Documentário “Relíquia” mostra como Mizuno Wave Prophecy virou símbolo de conquista nas periferias

por CRIAA · 23 de setembro de 2026

O documentário “Relíquia – A Profecia Vem das Ruas” chega ao YouTube nesta quinta-feira, 22 de setembro de 2026, marcando o encontro entre duas narrativas que parecem nascidas uma para a outra: a história de um tênis de corrida e a história de quem o transformou em muito mais do que isso.

Criado pela Mizuno em parceria com a Podpah através da nova frente Originais Podpah, o projeto resgata memórias da cultura periférica brasileira e mostra como o Mizuno Wave Prophecy 1, lançado originalmente em 2011 como modelo de alta performance, se tornou um símbolo de conquista, autoestima e pertencimento nas comunidades onde realmente importava.

Quinze anos após seu surgimento, o Wave Prophecy continua vivo não porque a Mizuno o manteve nas prateleiras, mas porque as periferias brasileiras recusaram deixá-lo morrer.

Quando um tênis se torna uma profecia

A história do Wave Prophecy não começa em um laboratório de desenvolvimento de produtos. Começa nos bailes funk, nas ruas, no cotidiano periférico onde cada detalhe carrega significado.

O modelo foi lançado como um equipamento para corredores sérios, com tecnologia de ponta e propostas de desempenho. Mas foi nas periferias que encontrou seu verdadeiro significado cultural. Ter um Prophecy nos pés não era ostentação no sentido tradicional. Era a materialização de uma conquista pessoal, o símbolo de ascensão social de uma geração que estava construindo seus próprios caminhos.

O “Mizuno de Mil” entrou no imaginário coletivo das comunidades com tal força que inspirou mais de uma centena de composições brasileiras ao longo dos últimos 15 anos. Rappers, funkeiros e artistas urbanos transformaram o tênis em elemento narrativo, em código de comunicação, em expressão artística.

Mesmo quando o Wave Prophecy saiu do mercado oficial, a comunidade o manteve vivo. Através de oficinas de restauração. Através de colecionadores que entendiam o valor. Através de memórias afetivas dos bailes funk que ninguém conseguia apagar.

A escolha certa de vozes para contar

O documentário reúne relatos e vivências de Mítico, Igão, Kyan, MC Ktrine, Luana Maia, DJ Thays e MC Neguinho do Kaxeta. A escolha dos participantes não é acidental. São pessoas que construíram essa história no dia a dia, que vivenciaram a transformação do Wave Prophecy de produto em relíquia.

Segundo Igão e Mítico: “A maneira que a comunidade periférica e do funk absorveu o Prophecy é um dos casos mais emblemáticos de como um produto acaba extrapolando a relação comercial com as pessoas, com uma cultura. Ter um Mizuno, como vai ser mostrado no documentário, sempre foi sinônimo de uma conquista muito grande para nós. E essa conquista vem carregada de significados. Contar essa história nos leva para lugares e situações que ficaram nas nossas memórias e que agora ficarão registradas como uma bela homenagem.”

A escolha do Podpah foi estratégica. O canal nasceu a partir da vivência periférica e compartilha dos mesmos códigos e linguagem dos personagens retratados. Não era possível contar essa história através de uma perspectiva corporativa tradicional. Precisava vir de quem realmente viveu isso.

Quando a Mizuno finalmente entende

Rafael Santos, diretor de marketing da Mizuno, coloca a questão com clareza: “Toda profecia precisa de quem acredite nela. E quem acreditou no Prophecy, por mais de uma década, foram as periferias brasileiras. Seus músicos, artistas, trabalhadores e agentes culturais. Este documentário é um agradecimento. É também uma forma de celebrar a força da nossa cultura e mostrar ao mundo o poder que ela tem de transformar significados. A Mizuno nasceu no Japão. Mas foi aqui que o Prophecy deixou de ser só um tênis de corrida e virou expressão, orgulho e autoconfiança. A Mizuno fez o tênis. Quem fez dele um símbolo foi a cultura brasileira.”

A declaração marca um ponto importante. A marca está reconhecendo que seu produto ganhou vida própria longe dos planos e planilhas corporativas. O Wave Prophecy pertence às ruas. A Mizuno apenas cria espaço para homenagear essa realidade.

A narrativa de um retorno respeitoso

O relançamento do Wave Prophecy 1 segue o conceito narrativo “Relíquias Nunca Morrem”, uma campanha que legitima a comunidade como a verdadeira responsável por preservar o valor cultural do tênis por uma década e meia.

A marca agora revisita esse acervo afetivo para reconhecer e dar protagonismo a quem fez parte dessa trajetória. Não é um simples retorno de produto. É uma homenagem estruturada em forma de documentário, de narrativa, de respeito pela memória coletiva.

Luana Protazio, diretora de marketing e comunicação do Grupo Podpah, ressalta: “Lançar a frente Originais Podpah com um projeto dessa magnitude reafirma o nosso compromisso com narrativas autênticas. O Prophecy é uma verdadeira relíquia das ruas, um símbolo que carrega o suor e a conquista de quem vem de onde muitos de nós viemos. Ter a confiança e a parceria da Mizuno para transformar essa memória afetiva em um documentário de alta qualidade é um orgulho imenso para o nosso time. Estamos eternizando a nossa própria história com o respeito e a grandiosidade que ela exige.”

Quando a cultura periférica se torna documento

Para a Rapgol Magazine, este documentário marca algo importante: o reconhecimento de que a cultura urbana brasileira não apenas consome produtos, mas os ressignifica, lhes oferece vida própria, transforma materiais em memória coletiva.

O Wave Prophecy é um exemplo perfeito dessa dinâmica. Nasceu como equipamento. Virou linguagem. Virou história. Virou arte.

A Mizuno finalmente entendeu que sua maior contribuição não é tentar recriar esse significado, mas simplesmente documentar como ele foi criado, preservado e cultivado pelas mãos e pelas vidas de quem realmente importa.

“Relíquia – A Profecia Vem das Ruas” está disponível a partir de 22 de setembro de 2026 no YouTube, oferecendo a rua como um polo legítimo e inegável de criação, inovação e significado cultural.

Porque às vezes o produto mais importante que uma marca pode criar é o espaço para que a comunidade conte sua própria história.

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