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COI anuncia nova política para atletas trans em competições femininas nos Jogos de 2028

por CRIAA · 26 de março de 2026

O Comitê Olímpico Internacional anunciou uma mudança significativa nas regras de elegibilidade para competições femininas. A partir dos Jogos de Los Angeles 2028, a participação será definida com base em critérios biológicos, utilizando a identificação do gene SRY como referência técnica.

A decisão marca uma das maiores alterações recentes nas políticas esportivas globais e reacende debates sobre justiça competitiva, ciência e inclusão no esporte.

Decisão baseada em análise científica 🔬

Segundo o COI, a nova diretriz é resultado de um processo iniciado em 2024, envolvendo análises médicas, jurídicas e consultas com atletas.

A presidente da entidade, Kirsty Coventry, afirmou que a decisão não foi influenciada por fatores políticos externos, mas sim por evidências científicas e recomendações de especialistas.

De acordo com a diretora médica do COI, Jane Thornton, o gene SRY, presente no cromossomo Y, é considerado atualmente o indicador mais preciso para identificar o sexo biológico.

O teste poderá ser realizado por meio de saliva, esfregaço bucal ou amostra de sangue, sendo um procedimento simples e realizado apenas uma vez ao longo da carreira do atleta.

Diferenças de desempenho entram no centro do debate 📊

A base técnica da decisão considera estudos que apontam diferenças de desempenho entre atletas em nível de elite.

Segundo o grupo de trabalho do COI:

em esportes de resistência, a vantagem média pode variar entre 10% e 12%
em provas de força e potência, pode chegar a 20%
em modalidades de força explosiva, a diferença pode ser ainda maior

Esses dados foram utilizados como argumento para sustentar a necessidade de critérios mais claros na definição de elegibilidade.

Segurança e justiça como pilares ⚖️

Para Kirsty Coventry, a política foi construída com dois princípios centrais:

segurança no campo de jogo
equilíbrio competitivo

A dirigente destacou que, em competições de alto nível, pequenas diferenças podem ser decisivas para o resultado final.

Segundo ela, garantir condições justas de disputa é essencial para a integridade do esporte.

Consulta com atletas e exceções previstas 👥

O COI informou que a construção da nova política contou com a participação de mais de 1.100 atletas, além de entrevistas com competidores diretamente impactados.

O documento também prevê exceções para casos específicos, como atletas com Síndrome de Insensibilidade Androgênica Completa e outras condições raras de desenvolvimento sexual.

Além disso, a entidade reforça a distinção entre sexo biológico e identidade de gênero, destacando que a regra se aplica exclusivamente à elegibilidade esportiva.

Regra passa a valer em 2028 📅

A nova diretriz não terá efeito retroativo.

Ou seja, não impactará edições anteriores dos Jogos Olímpicos, como Paris 2024.

A aplicação será válida apenas para competições sob jurisdição do COI, incluindo:

Jogos Olímpicos
Jogos da Juventude
eventos classificatórios


Por que isso interessa?

A decisão do COI representa um dos debates mais complexos do esporte moderno.

Ela coloca em confronto três elementos centrais:

ciência
equidade competitiva
inclusão

Mais do que uma regra, a medida influencia diretamente o futuro das competições e o papel das instituições esportivas na definição de critérios globais.

No fim, a discussão vai além do esporte.

Ela toca em como a sociedade entende justiça, identidade e desempenho em um cenário cada vez mais diverso.

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