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Em TRAP

Além das Fronteiras: Danzo Une Vivência e Experimentação Global em “DOISMILEVINTEHOJE”

por CRIAA · 29 de janeiro de 2026

A cena do Rap e do Trap nacional recebe hoje um convite à desestagnação. Danzo apresentou seu novo trabalho de estúdio, “DOISMILEVINTEHOJE”, um disco que foge das tendências passageiras para buscar uma musicalidade mais profunda e cosmopolita. Sob a direção criativa de Caio Reis, o álbum funciona como uma ponte entre as ruas de São Paulo e matrizes culturais diversas, incorporando elementos da musicalidade africana e marroquina para ampliar o vocabulário do gênero no Brasil.

O projeto não busca apenas repetir o sucesso de singles como “SP” e “Princípios”, mas tensionar os limites do que se espera de um artista de Trap em 2026.

1. Colaborações de Peso e Representatividade

Atento às transformações da cena, Danzo trouxe para o disco vozes que definem o atual momento do Rap nacional:

  • Representatividade Feminina: O álbum conta com a participação de MC Luanna na faixa “Pasta Registrada” e da revelação NandaTsunami em “Princípios”, trazendo diversidade de narrativas e sensibilidade ao projeto.
  • Presença de Lenda: O videoclipe de “SP” conta com a participação simbólica de Mano Brown, reafirmando a conexão de Danzo com os pilares do gênero e com a vida nas ruas da capital paulista.

2. Faixa a Faixa: Do Introspectivo ao Expansivo

O álbum é estruturado em dois movimentos complementares que revelam a versatilidade do artista:

  • Primeira Metade: Foca na autopercepção e amadurecimento com faixas como “Segredos e Problemas” e “Limite”. O uso de tecnologia Betacam dos anos 80 e 90 no clipe de “Princípios” reforça essa estética de transição entre o clássico e o novo.
  • Segunda Metade: É aqui que a experimentação ganha força total. A faixa “Monopólio”, com Yuri Redicopa, é o coração sonoro do disco ao incorporar referências diretas do Rap marroquino.

3. Identidade e Metáfora

O percurso do álbum se encerra com uma afirmação de status e origem. Em “Faraó”, Danzo utiliza a imagem das correntes no pescoço como uma metáfora de poder e afirmação, enquanto a faixa final, “Reflexo”, traz o tom introspectivo de volta para falar sobre família, sonhos e as prioridades de quem veio da Zona Sul para conquistar o mundo.

Conclusão: Um Novo Território para o Rap

Com “DOISMILEVINTEHOJE”, Danzo entrega mais do que rimas; ele entrega uma visão de mundo onde o Rap brasileiro não tem medo de buscar inspiração em geografias distantes para contar suas próprias histórias. O álbum é um manifesto de que a musicalidade pode — e deve — ser explorada ao máximo. Em 2026, Danzo não está apenas seguindo o movimento; ele está liderando a expansão da cena para novos e inexplorados horizontes.

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