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Do Algoritmo ao Bolso: DJ Akademiks Critica como a Mídia de Hip Hop Abandonou a Curadoria pela Busca de Cliques

por CRIAA · 2 de janeiro de 2026

O cenário da comunicação no hip hop atravessa uma crise de identidade, e ninguém menos que DJ Akademiks decidiu colocar o dedo na ferida. Em uma de suas recentes e polêmicas transmissões ao vivo, o streamer e comentarista afirmou que a mídia tradicional e digital “perdeu o faro” para a descoberta, transformando-se em uma máquina reativa que apenas persegue o que já é popular para garantir receita. Segundo ele, o modelo de negócio atual impede a renovação da cultura, criando um ciclo vicioso de repetição e “alimentação de cadáveres”.

Akademiks argumenta que as decisões editoriais não são mais baseadas em instinto ou paixão pela música, mas sim em dados de performance. “A maioria das empresas de mídia… todos nós perseguimos o que é popular. Não procuramos popularizar”, disparou o streamer, definindo a realidade nua e crua do mercado em 2026.

1. O Ciclo do Dinheiro: Cliques geram Cliques

Para Akademiks, a lógica é puramente matemática e financeira: se o “Assunto A” está gerando visualizações, toda a mídia irá focar no “Assunto A”. “Cliques geram atenção, atenção gera cliques e cliques geram dinheiro”, explicou. Esse modelo, no entanto, pune novos talentos e narrativas emergentes, já que investir no desconhecido é um risco financeiro que poucos veículos estão dispostos a correr.

O resultado é uma cobertura hipersaturada dos mesmos artistas e polêmicas, enquanto o subsolo do rap e as novas tendências ficam à margem. A mídia, na visão de Ak, parou de alimentar os fãs com novidades para apenas reafirmar o que eles já estão consumindo obsessivamente.

2. Drake vs. Kendrick: O “Presente que Não Para de Render”

Como prova de sua tese, Akademiks citou a histórica rivalidade entre Drake e Kendrick Lamar. Ele descreveu o embate como o período mais lucrativo de sua carreira de 15 anos no YouTube. No entanto, ele critica como os veículos continuam “comendo o cadáver” dessa treta mesmo meses depois de ela ter esfriado.

A lucratividade desses momentos cria um incentivo perverso: a mídia estende narrativas muito além de sua relevância cultural real apenas porque elas continuam gerando receita. Isso cria um hip hop “congelado no tempo”, focado em conflitos passados em vez de projetar o futuro do gênero.

3. Independência e a Defesa de 6ix9ine

Ao ser questionado sobre o porquê de ainda dar espaço a figuras como 6ix9ine, Akademiks usou sua independência como escudo. Ele afirmou que, em sua própria plataforma, tem o luxo de falar sobre quem quiser por motivos pessoais, e não estratégicos. “Eu quero falar sobre isso. É meu amigo. Meu erro”, desabafou, contrastando sua liberdade com a rigidez das grandes corporações de mídia que são forçadas a seguir o que o gráfico de audiência aponta.

Conclusão: O Papel da Mídia na “Era das Máquinas”

A análise de DJ Akademiks é um alerta para quem vive e consome a cultura urbana. Se a mídia deixa de ser um curador (tastemaker) para ser apenas um espelho do que o algoritmo dita, o hip hop corre o risco de estagnação. Para Akademiks, o papel de moldar o que vem a seguir saiu das mãos das redações e foi para os documentaristas do YouTube e criadores independentes, que ainda possuem a coragem de arriscar.

Em 2026, a pergunta que fica para o público e para os profissionais da área é: estamos consumindo o que amamos ou apenas o que o sistema financeiro do clique nos obriga a ver?

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