Festival Arranque! leva paredões ao CCBB RJ

Festival Arranque! leva paredões ao CCBB RJ

Gostou? Compartilhe

🎶 O som das ruas no centro da cultura

De 17 a 19 de julho de 2025, o Festival Arranque! ocupará o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), no Rio de Janeiro, com paredões de som automotivo, shows gratuitos, debates e uma mostra de cinema que destaca a música periférica e do interior do Brasil. A proposta é simples e potente: transformar um dos espaços culturais mais tradicionais do país em palco para as expressões sonoras mais potentes das ruas.

Com entrada gratuita, o evento é uma edição especial e compacta do Festival Paredão Ocupa o Museu — que em 2024 reuniu mais de 9 mil pessoas no mesmo local — e desta vez mergulha fundo no universo dos paredões, seus protagonistas e os debates que os cercam.


📍 Três dias de programação gratuita

A programação se divide em três frentes: debates (às 16h30), cinema (às 19h) e shows (a partir das 21h). Cada noite apresenta uma curadoria sonora específica, com nomes de peso que representam a pluralidade da cultura sonora popular:

Quinta, 17/07:

  • Valesca Popozuda, RDD, DJ Bieta Original e Baile da DZ7

Sexta, 18/07:

  • Bonde das Maravilhas, Paulilo Paredão, DJ Jeffdepl, Carlos do Complexo, Pocket Resenha Black Bom, Cabra Guaraná

Sábado, 19/07:

  • DJ Méury, DJ Boneka, DJ Brunoso, Emme Paixão, DJ Jessica Salty, DJ Dan Absoluto

🎤 O som como linguagem política e cultural

Durante os três dias, o festival promove mesas de debate com artistas, ativistas e produtores culturais. As conversas abordam temas como:

  • “Do baile à praça: quem decide o que pode tocar na rua?”
  • “Decibéis de resistência: sons como expressão”
  • “Territórios sonoros: o som que sai das quebradas do Norte e Nordeste”

Esses encontros exploram os conflitos entre arte, território e repressão, além de questionar o silenciamento de expressões populares em nome de normas urbanas ou estigmas sociais.


📽️ Cinema periférico de Norte a Sul

A mostra de filmes exibe curtas e longas-metragens que documentam o impacto social e artístico do som automotivo, incluindo obras como:

  • Terror Mandelão (SP)
  • Raízes Amplificadas: Technobrega em Belém (PA)
  • Auto Som Piá (PR)
  • Beat é Protesto (SP)
  • O Homem Que Era Luz (BA)
  • Maremoto (RN)

Os filmes mostram que os paredões são mais que caixas de som: são dispositivos de identidade, memória e resistência cultural espalhados por todo o Brasil.


🧠 “Arranque!” é mais que festival. É manifesto

Ao colocar Valesca Popozuda, Paulilo Paredão, DJ Méury, DJ Boneka e artistas de diferentes territórios no mesmo palco, o festival reafirma uma verdade incômoda para setores elitistas: a arte popular é complexa, diversa e urgente. Dos beats de Belém ao funk de Paraisópolis, dos trios elétricos da Bahia aos bailes da Maré, o Arranque! oferece uma cartografia sonora do Brasil profundo, com destaque para artistas LGBTQIA+, pretos, periféricos e do Norte/Nordeste.


🤖 Por que isso interessa?

Em um momento em que a cultura de massa é moldada por algoritmos e centros urbanos, festivais como o Arranque! reposicionam o protagonismo nas mãos de quem historicamente foi silenciado.
Ao ocupar o CCBB com paredões e poesia, o evento mostra que a rua é produtora de arte, conhecimento e transformação social — e que os sons que vêm das quebradas merecem palco, luz e escuta.