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FIFA planeja nova empresa comercial e provoca reação da UEFA

por CRIAA · 31 de julho de 2026

Projeto prevê captar até US$ 4,2 bilhões com investidores privados, mas enfrenta críticas sobre transparência, governança e possíveis impactos nos principais torneios do futebol.

A FIFA confirmou que estuda criar uma nova estrutura empresarial para administrar e ampliar a exploração comercial de suas principais competições. Batizada de FIFA Forward Enterprise (FFE), a companhia reuniria negócios relacionados aos direitos de transmissão, patrocínios e eventos da entidade.

O portfólio comercial inclui torneios como a Copa do Mundo masculina, a Copa do Mundo Feminina e a Copa do Mundo de Clubes. A proposta prevê a venda de uma participação minoritária e sem poder de controle para investidores privados.

A operação provocou uma reação imediata da UEFA. Após uma reunião emergencial, a entidade europeia e suas 55 associações nacionais anunciaram que não participarão das competições da FIFA caso o plano seja aprovado nos termos atuais. A Concacaf também rejeitou a proposta e criticou a falta de consulta e de análise pelos órgãos de governança responsáveis. (APNEWS)

O que é a FIFA Forward Enterprise

A FFE seria uma subsidiária comercial controlada pela FIFA. A entidade afirma que continuará responsável pela governança do futebol, pelas regras, pelo calendário internacional e pelas decisões esportivas.

O projeto está sendo estruturado com a participação do banco JP Morgan. A proposta prevê uma rodada inicial de captação de até US$ 4,2 bilhões, baseada em uma avaliação de aproximadamente US$ 20 bilhões para a nova empresa.

Os investidores receberiam apenas participações minoritárias e sem direito de controle. A Thrive Eternal, veículo de investimentos lançado pela Thrive Capital, de Joshua Kushner, aparece como potencial investidora principal da operação. (APNEWS)

A proposta ainda não foi aprovada. Para avançar, precisará receber o apoio da maioria das 211 associações filiadas e passar pelo Conselho da FIFA. (APNEWS)

FIFA promete mais de US$ 10 bilhões ao desenvolvimento

A FIFA afirma que o novo modelo poderá elevar para mais de US$ 10 bilhões o investimento destinado ao desenvolvimento do futebol nos próximos ciclos.

O pacote apresentado possui duas frentes diferentes. A primeira prevê a liberação opcional de até US$ 20 milhões em pagamento extraordinário e único para cada associação, por meio do novo programa FIFA Fast Forward.

A segunda amplia os repasses regulares do FIFA Forward. Para o ciclo de 2027 a 2030, cada federação poderia receber US$ 20 milhões, em vez dos US$ 8 milhões previstos atualmente. Os valores subiriam para US$ 22 milhões entre 2031 e 2034 e US$ 24 milhões entre 2035 e 2038. (FIFA)

Portanto, os US$ 20 milhões extraordinários não representam um pagamento anual. Trata-se de um recurso único, condicionado à participação no programa, além do aumento dos repasses programados para cada ciclo.

Para Gianni Infantino, a operação permitiria explorar melhor o potencial comercial das competições e distribuir uma parcela maior das receitas entre as federações nacionais.

UEFA ameaça boicotar competições da FIFA

A UEFA classificou o projeto como uma tentativa de transformar o maior patrimônio do futebol em um ativo financeiro. Segundo a entidade, uma mudança dessa dimensão não poderia ter sido desenvolvida sem uma consulta ampla às confederações e associações nacionais.

Na quinta-feira, 30 de julho, as 55 federações europeias aprovaram por unanimidade a decisão de não participar das competições da FIFA se a proposta for implementada em sua forma atual. A ameaça abrange torneios masculinos, femininos, de base e de clubes. (APNEWS)

A primeira competição potencialmente afetada seria a Copa do Mundo Feminina Sub-20, prevista para começar em 5 de setembro de 2026, na Polônia.

A reação europeia também pode alcançar a Copa do Mundo Feminina de 2027, a Copa do Mundo masculina de 2030 e o Mundial de Clubes. A UEFA sustenta que investidores privados poderiam passar a exercer pressão indireta por mudanças destinadas a aumentar a rentabilidade das competições.

Concacaf também rejeita proposta

A oposição deixou de ser exclusivamente europeia. A Concacaf reuniu suas 41 associações e manifestou preocupação com o prazo reduzido, a ausência de consulta prévia e a falta de aprovação pelos órgãos competentes da FIFA.

A confederação responsável pelo futebol da América do Norte, América Central e Caribe rejeitou o plano apresentado e pediu um processo mais transparente antes de qualquer decisão. (APNEWS)

A posição ganha peso porque a Concacaf acaba de receber a Copa do Mundo de 2026, disputada nos Estados Unidos, no México e no Canadá. Somadas, UEFA e Concacaf representam 96 das 211 associações filiadas à FIFA.

FIFA responde às críticas

Nesta sexta-feira, 31 de julho, a FIFA publicou novos esclarecimentos e negou que esteja vendendo o futebol ou entregando o controle de suas competições.

A entidade afirmou que os recursos externos não alterariam sua estrutura de governança e que os investidores não teriam autoridade sobre calendários, regulamentos, formatos esportivos ou decisões relacionadas às competições.

A FIFA também declarou que a proposta poderá ser aprovada, rejeitada ou modificada durante o processo de consulta. As associações têm até 19 de setembro de 2026 para analisar o projeto e comunicar sua posição. (AS)

Projeto reacende debate sobre capital privado no futebol

Esta não é a primeira vez que a FIFA tenta atrair investimentos externos para seus torneios. Em 2018, a entidade discutiu uma proposta de aproximadamente US$ 25 bilhões apoiada pelo SoftBank para financiar uma Liga das Nações global e reformular o Mundial de Clubes.

O plano não avançou diante da resistência de clubes e dirigentes europeus. O novo formato do Mundial de Clubes acabou sendo implementado posteriormente sem aquela operação.

Agora, a FIFA volta ao mercado com um projeto mais amplo e cercado por uma questão fundamental: até onde uma entidade esportiva sem fins lucrativos pode compartilhar suas receitas comerciais com investidores privados sem comprometer sua independência?

A promessa de bilhões para o desenvolvimento pode conquistar o apoio de federações menores. Por outro lado, a ameaça de boicote da UEFA e a rejeição da Concacaf criam uma das maiores crises institucionais da gestão de Gianni Infantino.

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