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Coligações Expressivas: a união que atravessou gerações do rap nacional e ajudou colocar CWB no mapa

por Joaozinhocwbeats · 4 de fevereiro de 2026

DJ Caíque, renomado produtor e MC brasileiro, está desde meados dos anos 2000 fazendo história com suas produções, seja em discos clássicos do RapBR como “Bem Vindo Ao Circo” de Don Cesão, as primeiras mixtapes do Projota, entre outros clássicos. Hoje vamos falar das Coligações Expressivas que se consolidaram como um dos projetos mais importantes de conexão entre MCs, produtores e cenas regionais do rap brasileiro. Mais do que coletâneas, os volumes funcionam como um retrato do momento do hip hop nacional, reunindo diferentes estéticas, discursos e territórios a mais de 20 anos.

Coligações Expressivas (2005)

O primeiro volume já chegou mostrando peso e diversidade. Faixas como “Conveniente o Bastante” (Cabes, Cadelis, Nave e Nel Sentimentum), “Zero Grau” (Hurakan e Nairobi) e “Não Há Arte vs Arte” (Nel Sentimentum) ajudaram a firmar a ideia de que o rap podia ser coletivo sem perder identidade. Era o início de uma ponte sólida entre artistas de várias cidades, incluindo Curitiba, que já mostrava sua força e o foco dessa matéria vai ser Curitiba.

Coligações Expressivas 2 (2010)

Cinco anos depois, o projeto voltou ainda mais encorpado. Destaque para “O Mais Veloz” (Savave), “É Foda” (Ogi, Don Cesão e Nairobi), “Deixa Fluir” (Nel Sentimentum), “Difícil” (Rapzodo), “Trash War” (Mentekpta) e “De Olhos Abertos” (Cadelis). O volume 2 reforçou o caráter nacional da iniciativa e provou que a união entre cenas seguia viva e relevante, dobrando o número de músicas onde a cena de Curitiba participou.

Coligações Expressivas 3 e 4 (2015 e 2017)

Nos volumes 3 e 4, lançados em 2015 e 2017, respectivamente, não houve participação de artistas de Curitiba. Ainda assim, os discos mantiveram a proposta original de fortalecer colaborações e dar visibilidade a diferentes vozes do rap brasileiro, a nível nacional.

Coligações Expressivas 5 (2019)

Em 2019, Curitiba volta ao projeto. O representante foi Rodrigo Zin, que participou da faixa “Aftermatch”, ao lado de Zeus. O retorno da cidade marca mais um capítulo da relação constante entre a cena curitibana e o rap nacional e o produtor Caíque.

Coligações Expressivas 6 (2024)

O volume mais recente reafirma essa presença. Pecaos aparece ao lado de MV Bill na faixa “Provação”, enquanto Rodrigo Zin retorna mais uma vez com “Futuro”, além da participação do 7 Minutoz. O disco mostra como o projeto segue atual, dialogando com diferentes gerações e formatos do hip hop.

Coligações Expressivas 7 (2024)

E por último e não menos importante, temos o nascimento do volume 7 da mixtape “Coligações Expressivas” e um dos representantes pra dar inicio a essa nova fase do produtor é o curitibano Cassol, um dos maiores nomes da cena da capital paranaense. Cassol é cantor, compositor, produtor e iniciou sua carreira em 2016. De maneira original e marcante, ele descreve fases e momentos de sua vida e de forma poética lida com suas emoções através da música. As batidas secas e a dinâmica entre as melodias e a explosão em seu flow descreve a sua personalidade como artista e vem gerando muito destaque no cenário atual.

DJ Caique e a força da cena de Curitiba

Por trás de boa parte dessa história está DJ Caique, produtor com mais de 20 anos de atuação no rap nacional. Seu trabalho sempre foi marcado pela visão coletiva, pela curadoria afiada e pela capacidade de conectar artistas de diferentes regiões sem descaracterizar suas origens.

Curitiba, muitas vezes subestimada no mapa do hip hop, sempre teve MC foda, com lírica afiada, identidade própria e consistência artística. A presença recorrente da cidade nas Coligações Expressivas não é coincidência, mas reflexo de uma cena que nunca deixou de produzir, mesmo longe dos grandes holofotes.

As Coligações Expressivas seguem como documento histórico e, ao mesmo tempo, como movimento vivo, provando que o rap cresce quando soma forças, respeita suas raízes e mantém o diálogo entre as ruas, os estúdios e as gerações.

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