RAPGOL Magazine entrevista VND: Artista fala sobre sua trajetória na música e sua ligação com o futebol e o sportlife

RAPGOL Magazine entrevista VND: Artista fala sobre sua trajetória na música e sua ligação com o futebol e o sportlife
Gostou? Compartilhe

o dono da rua

v n d

Autor – Roger Morais



Twitter


Instagram

Vando Trem Bala

VND, conhecido por muitos como Vando Trem Bala, é cria de Marechal Hermes, tradicional bairro do subúrbio da Zona Norte carioca. É um dos integrantes do coletivo Covil da Bruxa, o qual fazem parte outros artistas já renomados na cena. Sua carreira em poucos anos alcançou patamares que talvez o próprio cantor nem tenha imaginado.

Desde então, o artista vem trabalhando intensamente para trazer ao público o som de qualidade que já conhecemos. Suas letras costumam ser bastante ousadas e tratam de assuntos que não estão somente ligados à curtição. Talvez seja por isso que conquistou no fim do ano passado o “Prêmio RAP TV”, na categoria “Aposta RAP TV 2021”.

VND não é preso a nenhum gênero musical, mas tem se destacado nos últimos tempos por excelentes produções de Grime e de Drill. Inclusive, o cantor já participou de algumas edições do programa Brasil Grime Show, que vem conquistando fãs a cada dia.

Logo, não perdemos a oportunidade de conversar com o artista. Em entrevista exclusiva, VND conta um pouco sobre seu início na música, trajetória, sua visão sobre o cenário atual e, claro, aquela rápida resenha sobre futebol e sportlife, além de adiantar novidades quanto ao lançamento do seu primeiro álbum “EU TAMBÉM SOU UM ANJO”, previsto para lançamento em agosto.

… me inspiro nas pessoas, em tudo que tem vida.

vnd

RAPGOL MAGAZINE – Primeiramente, gostaria de deixar bem claro que é uma enorme satisfação poder trocar essa ideia com você. O que mais te inspirou ou te motivou a iniciar na música?

VNDO amor por ela. Sempre fui influenciado dentro de casa mesmo sem perceber. Meu pai e meu avô, ambos são músicos, e minha mãe sempre teve essa paixão pelos bailes charmes dos anos 90, logo eu criei esse amor pela arte.

 

RAPGOL MAGAZINE – Quais são as suas principais referências musicais?

 

VNDSe eu for parar pra falar todas as minhas referências na música seria uma lista muito extensa. Mas eu sempre fui muito influenciado por música brasileira, no geral. Meu pai é músico e eu tive muita referência dele, da minha mãe, que só ouvia JB FM. Eu chapava nos artistas que o Brasil gerou, chapo até hoje.

RAPGOL MAGAZINE – Como foi e quando você conheceu o Grime e o Drill?

VNDEu ouvia muito Grime nas festinhas, mas não fazia tanta noção do que era, do que tava tocando. Nas festas do Centro os caras sempre tocavam Drum n’ Bass e eu não fazia ideia do que era.

O primeiro contato que eu tive com o Grime, sabendo o que era Grime, foi quando o Skepta veio à tona pra nós, e eu comecei a ouvir e estudar mais o gênero. O Drill o rolé foi diferente, por ser vertente de um genero tão famoso e relevante pro rap foi bem mais fácil conhecer e consumir.

VND –
BRASIL GRIME SHOW

RAPGOL MAGAZINE – E como você enxerga essa ascensão de ambos?

VNDEu acho foda, porque tem muita galera no Rio dando uma certa visibilidade, rolou uma identificação muito grande por ser um gênero que flerta muito com o nosso funk. Acho interessante a forma como está chegando nas pessoas também… Com isso as portas se abrem, como foi aberta ao Trap.

RAPGOL MAGAZINE – Vemos que em diversas letras suas o assunto o sportwear está presente. Sendo assim, na sua visão, qual a importância, em especial pra quem é cria de periferia, dessa cultura no dia-a-dia da galera?

VNDA questão das vestimentas em si, é irrelevante. Porque é uma coisa enraizada. Nós que é de periferia sempre gostou de usar esse tipo de coisa, é mais para se auto-afirmar do que a vestimenta em si, é como uma conquista. Ver um menor do meu bairro com um tênis caro. Não pelo preço, e sim pelo que tem por trás daquilo ali.

 

RAPGOL MAGAZINE – Pode nos contar um pouco como começou e como é o convívio com os demais integrantes da Covil da Bruxa?

VNDComeçou bem despretensioso, como todo coletivo. Era só um grupo de amigos que ia para os rolês se divertir, e a gente tinha essa personalidade, se intitulava como algo. Curtimos coisas parecidas, e a gente acabou unindo o útil ao agradável (a arte). A convivência é interessante, porém a gente já bateu muito cabeça até chegar aqui.

“O DONO DA RUA”

RAPGOL MAGAZINE – Infelizmente, ainda sofremos com essa pandemia que assola a nossa sociedade. Desde que tudo isso começou, como você tem lidado com a situação e os seus trabalhos e projetos?

VNDMano, tá tudo 10x mais difícil como sempre é pra nós. Mas por incrível que pareça eu tô até lidando bem com o fato de não estarem rolando shows, e ainda sim conseguir fazer parte de vários projetos… Se a galera não tivesse fomentando ainda de fato, nós estávamos mais fodidos.

RAPGOL MAGAZINE – Quais são suas três camisas de time prediletas?

VND Essa é difícil… Mas eu gosto muito da Juventus 2007 da Nike, muito clássica; a da Holanda 2020/21 e a do Atalanta 20/21, da Joma, essa tá fina.

RAPGOL MAGAZINE – Quais são os seus três jogadores favoritos?

VNDR10 o Bruxo, o melhor que eu vi jogar. Pogba, porque o moleque é liso demais, e Iniesta porque o homem distribui.

RAPGOL MAGAZINE – Seu time de coração, e porque?

VNDEu sou tricolor, Fluminense. Na libertadores de 2009 eu acompanhei a campanha que o time fez e perdemos pra LDU na final, mas eu me apaixonei pelo time porque a campanha foi foda, e até hoje é meu time do coração.

 

 

R10 o Bruxo, o melhor que eu vi jogar.

vnd

RAPGOL MAGAZINE – No que você mais se inspira quando vai compor suas letras?

VNDA vida, nada mais inspirador do que estar respirando, o cotidiano… Não o ócio, me inspiro nas pessoas, em tudo que tem vida.

 

RAPGOL MAGAZINE – Dessa galera nova que está surgindo na cena, poderia citar três artistas que, ao seu ver, merecem destaque?

VNDPra começar, um menor bom que eu acho foda, e que deveria ter bem mais visibilidade é o Shape. Ele é da ZN do Rio, e é brabo, curto muito o trampo dele. Também a Amanda Sarmento. Ela tem uma métrica foda e uma voz braba também, a gente precisa mais disso na cena… E por último, meu irmão Tarcis, que eu tenho como referência, é um mano que me ensinou muita coisa.

RAPGOL MAGAZINE – Recentemente, você participou do projeto “Beat Acelerado | Grime no CSSP”. Como foi pra você integrar parte de um projeto ao lado de diversos artistas expoentes na cena?

VNDFoi lindo. Trabalhei com uma equipe muito foda e conheci artistas incríveis, e foi a minha primeira viagem pra fora do estado a trabalho. Dar importância pra esse tipo de projeto é essencial ta ligado? Nós tá fomentando isso de maneira muito foda, nos estávamos no Centro Cultural de São Paulo fazendo grime, soltando barras e dando perspectiva aos nossos semelhantes.

“INFRAVERMELHO”

RAPGOL MAGAZINE – O público pode aguardar alguma novidade do VND ainda este ano?

VNDSim, eu estou com um disco em processo de mixagem/masterização que vai sair mês que vem, intitulado ‘EU TAMBÉM SOU UM ANJO’. É meu primeiro disco. Nesse momento é o trabalho mais importante da minha vida. O que eu posso adiantar é que um clássico está por vir (risos)

 

RAPGOL MAGAZINE – Qual a mensagem que você gostaria de deixar para o pessoal?

VNDCuidem de suas mentes.

Bom, Vando nos garantiu que novidades virão em breve. E se a sua linha de trabalho seguir a mesma, é certeza de que os fãs e adeptos sairão satisfeitos com os seus trabalhos. O seu mais recente lançamento foi a faixa em conjunto, intitulada “Infravermelho”, ao lado de LEALL, OG BRITTO, TOKIODK e do beatmaker Luna, que, com uma semana de estreia, lá alcançou centenas de milhares de visualizações somente no YouTube.

Postado